A FONÉTICA NO ENSINO DE INGLÊS PARA CRIANÇAS
Enaura T. Krieck de Biaggi e Emeri de Biaggi Stavale
É VÁLIDO O ENSINO DE INGLÊS A CRIANÇAS PEQUENAS?
Há muitas pessoas que ainda questionam o fato de se ensinar um ou mais idiomas a crianças quando estas ainda estão em fase de aprendizado da língua materna.
A mídia tem dado, recentemente, um grande destaque à importância de experiências precoces de aprendizado no desenvolvimento do cérebro humano.
A revista NEWSWEEK dedicou uma edição especial aos 3 primeiros anos de vida de uma criança indicando que “há uma janela de oportunidade” para o aprendizado de uma segunda língua, começando com 1 ano de idade. Um artigo na revista TIME, de fevereiro de 1997, sugere que línguas estrangeiras devem ser ensinadas às crianças tão logo seja possível.
Gostaríamos, ainda, de ressaltar que os avanços tecnológicos da última década, forneceram a psicólogos, neurobiólogos, peritos em pré-infância um conhecimento muito grande de como a linguagem é adquirida. Ficou provado que a aquisição da língua materna se inicia ainda na fase intra-uterina.
Pesquisas têm demonstrado, também, que quanto mais cedo a criança inicia o aprendizado de um segundo idioma, mais fácil e natural é esse processo.
Em nosso caso específico, ensinando o inglês a crianças a partir dos 4 anos de idade, desenvolvendo apenas atividades áudio-orais, temos comprovado esse fato com resultados amplamente satisfatórios. Por outro lado, a introdução da leitura e escrita, em nossa opinião, só deve ocorrer quando a alfabetização no idioma materno estiver completa e solidificada.
O fato de aprender inglês cedo, de uma maneira natural e divertida, fará com que a criança sempre associe o idioma a alguma coisa agradável, incentivando-a a prosseguir no estudo para o domínio do mesmo. Isso lhe será útil em qualquer área de estudos, na sua carreira e em toda a sua vida.
POR QUE A INTRODUÇÃO DA FONÉTICA?
Quem tem algum conhecimento de Inglês sabe como é difícil, ás vezes, distinguir um
som do outro, mesmo em palavras monossilábicas.
Ensinando a nossas crianças, na fase exclusivamente áudio-oral, dos 4 aos 7 anos, sentimos a necessidade de desenvolver atividades que as ajudassem a educar os seus ouvidos, distinguindo os sons básicos do idioma em foco e preparando-as também para a fase posterior de alfabetização no idioma, que ocorre de uma maneira mais fácil e natural.
BASE CIENTÍFICA PARA O ENSINO DA FONÉTICA
Mais de 180 pesquisas comprovaram que a introdução da fonética é a melhor maneira de ajudar às crianças no ensino da leitura. Após 10 anos de pesquisas relativas à aprendizagem, os médicos e cientistas da Yale University, nos Estados Unidos da América, identificaram a parte do cérebro que é usada na leitura. Basicamente, chegaram à conclusão de que o cérebro humano aprende a ler do mesmo modo que aprende a falar, isto é, usando um som de cada vez. Quais são os primeiros sons que um bebê emite em português?
Tentando imitar os adultos,os bebês tentam se comunicar através de sons tais como ba/ ma/ da/ pa etc.
À medida que a fala se desenvolve, vão adquirindo mais rapidez e aprendendo a juntar os sons para formar palavras, embora seus cérebros apenas processem um som por vez.
NOSSA EXPERÊNCIA
Ensinando inglês a adolescentes e adultos, há muito vínhamos percebendo as dificuldades que os nossos alunos tinham em distinguir os sons básicos da língua inglesa. Decidimos fazer uma experiência introduzindo sons vocálicos em palavras monossilábicas como parte do nosso método de ensino para crianças em fase de pré- alfabetização em inglês, na faixa etária dos 4 aos 7 anos de idade.
Como são introduzidos esses sons? Procurando aplicar a teoria das inteligências múltiplas, usamos várias atividades e recursos áudio visuais para fazê-lo. Através de histórias, gravuras, musicas, jogos e dramatizações, temos conseguido que as crianças reconheçam e fixem os sons que nos propusemos a ensinar.
HISTÓRIAS
Todos sabemos que o mundo da fantasia, do faz de conta, é parte integrante das crianças nessa faixa etária. Introduzimos um som através de uma história, onde as palavras monossilábicas desse som aparecem com freqüência. Por exemplo: o “A” longo (som fonético) pode ser apresentado numa história na qual constem e são enfatizadas as palavras como car, star, far, jar, Mark.
EXERCÍCIOS áudio orais
Consistem em fazer com que a criança ouça, reconheça e repita os som que desejamos ensinar. São também usados na comparação e distinção de 2 ou mais sons.
GRAVURAS
Para auxiliar na fixação do som usamos gravuras das palavras que são repetidas na história. Essas gravuras servem também para revisar aquilo que foi previamente ensinado, jogos de fonética, etc.
MÚSICAS
As músicas são um instrumento muito válido e eficaz em qualquer método de ensino e para qualquer faixa etária. Com crianças, cuja capacidade de concentração continuada é muito pequena, a música na sala de aula pode ser usada tanto para relaxar como para despertar a atenção e ativar energias. Na música usamos letras que rimam (especialmente compostas para cada som específico), para fixação dos sons que estamos ensinando, e relacionadas com a história usada para a introdução dos mesmos.
As músicas devem ser acompanhadas de movimentos (sinestesia) para dar vida, entusiasmo as mesmas.
DRAMATIZAÇÕES
As dramatizações são outro recurso importante. Utilizamos as histórias, que são a base do ensino de sons fonéticos e convidamos as crianças a dramatizá-las, representando os diferentes personagens, individualmente ou em grupos. O uso de fantasias, adereços ou objetos relacionados ao papel que está sendo representado enfatiza e aumenta a diversão da dramatização.
JOGOS
Jogos variados são usados para manter o interesse e a motivação das crianças, além de ajudar na fixação dos tópicos em foco. No caso da fonética, procuramos ajudar a memorização dos sons ensinados, através de jogos que utilizam figuras das palavras ou desenhos feitos pelas crianças que contenham os sons básicos, tais como: dominós, jogo da memória, bingo, separação das figuras de palavras que tem o mesmo som.
ATIVIDADES ARTÍSTICAS
Consistem em desenhos ou pinturas feitos pelas crianças, representando as histórias que introduziram os sons, servindo para a fixação dos mesmos: as crianças são solicitadas a recontar a história, enfatizando as palavras que rimam. Os desenhos podem ser expostos na sala de aula ou em lugar de destaque na escola, para reforço e revisão da aprendizagem.
CONCLUSÃO
Para que a introdução da fonética nos primeiros estágios do ensino de um idioma tenha êxito, é necessário que o professor tenha, em primeiro lugar, um mínimo de conhecimento de fonética; em segundo lugar, que esteja convencido da importância de ensiná-la aos seus alunos.
A nossa experiência tem sido altamente positiva, surpreendendo-nos a capacidade das crianças em reconhecer sozinhas os sons aprendidos, em novas palavras que vão sendo acrescidas ao vocabulário do dia a dia. Mesmo com crianças em fase de alfabetização, que começaram o inglês mais tarde, a introdução da fonética ajudou muito nessa mesma alfabetização e leitura.
Por essa razão, gostaríamos de incentivar nossos colegas professores que tem alunos nessa faixa etária a fazer o mesmo.
BIBLIOGRAFIA:
Chomsky, N - Knowledge of language
Language Acquisition Device
ERIC Educational Resource information Center- Parent Brochure
Time Magazine – February 1997
NICHD- National Institute of Child Health & Human Development- articles
Nenhum comentário:
Postar um comentário